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A resposta, segundo Inês Fernandes, Associate Consultant da Claranet Portugal, é clara: não – mas com uma ressalva importante. A forma como trabalhamos em Segurança e Compliance está a ser profundamente alterada pela IA, mas tudo indica que o papel do consultor se torna ainda mais relevante, não menos.
A IA não vai substituir os consultores. Vai transformar – e valorizar – quem souber usá-la.”
A Inteligência Artificial traz capacidades reais e relevantes para a área da cibersegurança: análise automatizada de logs e eventos, deteção de padrões anómalos, correlação de vulnerabilidades, priorização de alertas e suporte a respostas a incidentes. A sua grande vantagem está na escala – consegue processar volumes de dados que seriam impossíveis de analisar manualmente, eliminando tarefas repetitivas que consomem tempo precioso.
Implementar frameworks de segurança como ISO 27001, NIST CSF, ou cumprir regulamentos como o RGPD ou a NIS2 vai muito além de marcar caixas. Exige interpretação, adaptação à realidade de cada organização e apreciação estratégica. Cada empresa é única – a sua cultura, processos, tolerância ao risco e maturidade operacional diferem significativamente.
As competências que permanecem profundamente humanas:
Pensamento crítico: questionar, interpretar e contextualizar a informação.
Conhecimento do negócio: a segurança eficaz tem de estar alinhada com os objetivos operacionais e estratégicos.
Experiência acumulada: projetos anteriores, erros, sucessos e exposição a diferentes organizações criam uma base de conhecimento difícil de replicar.
Gestão de stakeholders: comunicar riscos, convencer equipas e alinhar prioridades.
Recolha e validação de evidências: auditorias e processos de compliance exigem análise detalhada, entrevistas e validação crítica de informação.
O verdadeiro potencial da IA na consultoria está em ser uma ferramenta de suporte a análise de documentação e políticas, identificação preliminar de gaps de compliance, tratamento de grandes volumes de evidências, preparação de relatórios e apoio na análise de risco. Isto liberta tempo para o que realmente importa: estratégia, análise e aconselhamento.
A pergunta mais pertinente não é se a IA vai substituir os consultores – é quem vai saber usá-la melhor.
As organizações que delegarem toda a sua compliance a ferramentas automáticas descobrirão rapidamente que a tecnologia, por si só, não resolve problemas de governance, risco ou cultura organizacional. Os consultores que integrarem a IA no seu trabalho tornar-se-ão significativamente mais eficazes e mais indispensáveis.
Artigo de opinião originalmente publicado in GlobalSec