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Notícia
28/04/2026
Num momento em que a digitalização industrial acelera a convergência entre sistemas, a IT Security Summit, realizada a 14 de abril, no Porto, abordou os desafios da Cibersegurança na Indústria 4.0 e IIoT, com foco na continuidade de negócio, gestão de risco, proteção de sistemas antigos e o impacto cultural da integração entre IT e OT.
Na mesa-redonda, sob o tema “Cibersegurança na Indústria 4.0 e IIoT: Do Chão de Fábrica à Cloud“, a Claranet Portugal destacou a urgência de garantir que a segurança da informação é mantida sem comprometer o negócio. O desafio principal reside em avaliar a maturidade das organizações, identificar os sistemas críticos e implementar controlos adequados que garantam uma governação segura em múltiplas camadas de rede.
David Grave, Cyber Security Director da Claranet Portugal, iniciou a discussão enfatizando três grandes erros frequentemente cometidos na indústria: a falta de visibilidade, a dependência de ferramentas mal configuradas e a criação do “ministério do não”.
Muitas organizações desconhecem o seu inventário e herdam sistemas legacy. Quando se tenta forçar as regras do IT (Information Technology) num ambiente de OT (Operational Technology) sem respeitar as suas diferenças arquitetónicas, criam-se bloqueios operacionais que levam ao uso de soluções de risco, como routers 4G não autorizados no chão de fábrica.
“Sem visibilidade sobre o que tenho dentro de casa, é impossível ter resiliência operacional”, afirmou o responsável da Claranet Portugal.
Cláudia Vieira, IT Manager na Continental, referiu que a cultura organizacional é o maior desafio na convergência IT/OT, sendo uma área que requer trabalho contínuo mesmo em grupos maduros. Historicamente, o IT foca-se na confidencialidade e conformidade, enquanto o OT se centra na operação e na segurança física. O desafio da indústria é encontrar um modelo híbrido com partilha de risco operacional.
Para a responsável, a cibersegurança e a gestão de risco devem fazer parte do ADN da organização, e não ser vistas como responsabilidades exclusivas do departamento de IT.
Em relação aos vetores de ataque, a mesa redonda registou consenso: a maioria das ameaças com impacto na produção não tem origem direta no OT. Os maiores incidentes utilizam vetores tradicionais provenientes do IT, como o phishing ou acessos VPN mal configurados, que acabam por contaminar as operações ou expor fragilidades na cadeia de abastecimento.
É inegável que o novo enquadramento regulatório, impulsionado pela Diretiva NIS2, está a atuar como um forte catalisador de mudança. Esta diretiva reforça a necessidade de estratégias bem reguladas que envolvam as chefias de topo na resposta a ameaças crescentes.
David Grave conclui:
A NIS2 é uma oportunidade que põe a responsabilidade onde deve estar: na administração. A nossa responsabilidade, enquanto responsáveis de cibersegurança, é ter uma linguagem de negócio que o proteja, garantindo que a organização continua a produzir. A NIS2 não vai proteger o negócio por si só, mas prepara-nos para isso.”
Ambos os especialistas, David Grave e Cláudia Vieira, sublinharam ainda que o tecido empresarial deve adotar uma postura resiliente. É essencial que a indústria assegure a maturidade tecnológica e cultural necessária para alinhar as prioridades de IT e OT, garantindo a proteção da cadeia de abastecimento de forma prudente e contínua no atual cenário digital.
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